relatório anual 2017
Usina Serra dos Cavalinhos II, Rio Grande do Sul.

VISÃO GERAL

Somos um dos maiores investidores globais na geração de energia elétrica a partir de fontes renováveis. Temos um longo histórico de mais de 100 anos investindo e operando ativos de geração hidrelétrica e, particularmente na última década, temos avançado muito na diversificação de tecnologias, com um crescimento importante no segmento de energia eólica e entrada nos segmentos de geração solar e de biomassa. Globalmente, nossos ativos sob gestão somam US$ 40 bilhões. No Brasil, operamos um amplo portfólio composto por 65 usinas de geração de energia. Nossos ativos sob gestão no segmento somam aproximadamente R$ 11 bilhões.

Complexo eólico Renascença, Rio Grande do Norte.

OPERAÇÕES

A exemplo do que já havia sido registrado em 2016, o ano de 2017 foi bastante difícil para as empresas geradoras de energia. O volume hidrológico de 2017 foi o menor dos últimos cinco anos, com baixos índices de precipitação em todas as regiões, o que provocou uma forte oscilação de preços ao longo do ano. A região Nordeste foi a mais afetada pela escassez de chuvas, seguida pela Sudeste, que por ser o principal subsistema do País, tem grande influência sobre o comportamento de todo o sistema.

O nível de armazenamento nos reservatórios chegou a níveis críticos no Nordeste (5,5% em novembro). As regiões Sudeste, Sul, Norte e Nordeste fecharam o ano, respectivamente, com os níveis de armazenamento 22,6%, 57,1%, 23,3% e 12,7%. Devido a esse cenário, houve um aumento na exportação de energia do Sudeste para o Nordeste, que só não foi maior devido à grande geração eólica que se observou esse ano na região nordestina.

Ao longo do ano, houve uma grande volatilidade nos preços, que entre setembro e outubro atingiram o teto de R$ 533/MWh (ante cerca de R$ 300/MWh em 2016). Com a melhora nas vazões no mês de novembro e com o início do período úmido em dezembro, os preços entraram em ritmo de queda. A melhora no cenário macroeconômico, principalmente a partir do segundo semestre, teve um impacto positivo no consumo de energia, que teve crescimento de 0,8% em relação a 2016, com destaque para os segmentos industrial (+1,3%) e residencial (+0,8%).

A despeito dessa volatilidade, a Brookfield Energia Renovável conseguiu entregar os resultados orçados e registrou crescimento em suas operações, por meio de novas aquisições e entrega de novos empreendimentos. Uma de nossas principais estratégias foi o desenvolvimento de uma estrutura comercial focada no relacionamento direto com os principais clientes, com a oferta de serviços agregados de pós-venda, o que reduz a dependência da participação de leilões e cria certa proteção às oscilações de preços do mercado. Atualmente, contamos com uma base de mais de 100 clientes atendidos nessa modalidade de venda direta.

Encerramos 2017 com uma receita de R$ 1,2 bilhão e EBITDA de R$ 902 milhões, montantes respectivamente 27% e 35% acima dos registrados no ano anterior. Como resultado de nossa estratégia de vendas, conquistamos 21 novos clientes e renovamos contratos com outros oito, com prazos de três anos, que somam 1.310 GWh.

Os setores do agronegócio e varejo foram nossos principais mercados em 2017, com 35% e 34% de novas vendas respectivamente. Um de nossos diferenciais competitivos está na venda de energia incentivada, proveniente de fontes renováveis de pequeno porte, que correspondem a 99% de nossos negócios.

Em relação à nossa base operacional, duas novas usinas tiveram suas obras finalizadas e entraram em operação em 2017. Localizada em São Paulo e com capacidade instalada de 30 MW, a usina de cogeração a partir de biomassa Santa Cândida II recebeu investimentos de R$ 281 milhões. Já a PCH Serra dos Cavalinhos I, no Rio Grande do Sul, tem 25 MW de capacidade e teve um investimento de R$ 220 milhões. Além disso, tivemos a aprovação de um financiamento de R$ 166 milhões do BNDES para a conclusão das obras da PCH Verde 4A, de 28 MW, localizada no Mato Grosso do Sul.

PERSPECTIVAS

Acreditamos que o mercado para aquisições continuará favorável e que será possível capturar novas oportunidades de crescimento de nossas operações em 2018. Como já mencionado, nossa estratégia de vendas focada no relacionamento direto com clientes, nos permitiu assegurar um consistente volume de vendas para os próximos três anos, o que deve continuar sendo uma importante vantagem competitiva.

Um dos principais desafios do setor continua sendo a questão regulatória, mais especificamente o modelo de cálculo do déficit de geração hídrica (GSF, na sigla em inglês). No modelo atual, as geradoras hidroelétricas não possuem total controle sobre as variáveis associadas à política energética do governo, já que o despacho de energia em situações de crise hídrica é determinado pelo Operador Nacional do Sistema (ONS), mas ainda assim são obrigadas a arcar com os custos do risco dessas políticas. Corrigir essa distorção é fundamental para atrair investidores e, ao mesmo tempo, evitar elevação de tarifas para os consumidores, como tem ocorrido nos últimos anos.

No final de 2017, passamos a operar no Brasil 14 novos parques eólicos localizados na Bahia, que se somaram aos cinco parques que já operamos desde 2015 no estado do Rio Grande do Norte. Essas usinas eólicas fazem parte do portfólio da TerraForm, empresa cujo controle foi adquirido em uma operação global conduzida pela Brookfield Renewable Partners. Assim, triplicamos nossa capacidade instalada em energia eólica no Brasil, de 150 MW para 450 MW. Encerramos 2017 com 65 unidades geradoras, sendo 42 hidrelétricas, 19 parques eólicos e quatro usinas de cogeração a partir de biomassa, somando uma capacidade instalada de 1.500 MW, 25% superior à de 2016.